4 de jul de 2011

Novo líder do governo no Congresso, Mendes Ribeiro Filho, quer buscar o diálogo

Agência Câmara 03 de Julho de 2011 • 11h18 http://pmdb.org.br/entrevistas.php?cd=6134 - Foto Divulgação




Brasília (DF) - Escolhido pela presidente Dilma Rousseff como novo líder do governo no Congresso Nacional, o deputado Mendes Ribeiro Filho (RS) elegeu como sua principal missão ouvir e buscar o entendimento. Segundo o parlamentar, a presidente pediu a ele que trabalhe muito e tenha paciência. Ele ressaltou que a questão das emendas parlamentares está superada e que, em relação ao Orçamento, vai se empenhar para “não atrapalhar”.
O deputado afirmou ter dúvidas sobre os efeitos que pode produzir a regulamentação da Emenda 29 e disse ser contrário a se colocar em votação “alguma coisa que possa vir a ser rejeitada”.
O anúncio de que Mendes Ribeiro ocupará a liderança do governo no Congresso foi feito pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República na tarde da última sexta-feira (1). O cargo estava vago desde o início do atual governo.


Após a confirmação da escolha, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), divulgou nota afirmando que o convite ao deputado Mendes Ribeiro “revela e reforça uma aliança partidária que veio para vencer e avançar”, consolidando, as “relações institucionais e políticas".
Perfil - Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho nasceu em 27 de dezembro de 1954, em Porto Alegre. O parlamentar ingressou na vida pública em 1974, como militante do MDB, formou-se em Direito e foi eleito vereador em Porto Alegre em 1982. Foi deputado estadual nas legislaturas de 1986 a 1990 e de 1991 a 1994.
Mendes Ribeiro Filho exerce o quinto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados e ocupava a 1ª vice-liderança do PMDB. Em 2008, assumiu a presidência da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso. No Executivo estadual, foi titular das secretarias da Justiça (1983 a 1984), de Obras Públicas, Saneamento e Habitação (1994-1996) e chefe da Casa Civil (1996-1998).
Atualmente, integra a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e as comissões que tratam das reformas da Previdência, Tributária e do Judiciário.
Confira a entrevista do deputado Mendes Ribeiro Filho à Agência Câmara.
Agência Câmara - O governo anunciou nesta semana a prorrogação, até o fim de setembro, do decreto dos restos a pagar referentes ao Orçamento de 2009. A possibilidade de não prorrogar esse prazo causava um mal-estar na base aliada e a ameaça de paralisar as votações na Câmara e no Senado. O senhor acredita que esse era o principal entrave nas relações entre o Congresso e o Executivo?
Mendes Ribeiro Filho - Isso é passado, é preciso olhar para frente. Cada dia com a sua agonia. Se a gente pensa na dificuldade não sai dela. Isso já passou. Agora é preciso pensar no desarmamento de espírito e na capacidade que eu preciso ter de ouvir, de ter paciência e humildade e de construir o clima necessário para o País poder continuar se desenvolvendo. É preciso construir o bom, e é o que eu espero. Quando começa uma partida de futebol nunca se pode pensar que vai perder, senão não vai ganhar. Eu quero ganhar sempre e a gente só ganha quando os outros ganham.


Agência Câmara – Que papel o líder do governo tem a desempenhar para garantir o bom andamento dos trabalhos legislativos? Como foi a conversa com a presidente Dilma? Que orientações ela deu ao senhor?
Mendes Ribeiro Filho - Paciência, a presidente sabe que eu não tenho muita paciência, então ela me pediu para ter, porque há uma obra enorme a fazer. Eu vou conversar com os demais líderes, com os líderes das bancadas estaduais. As coisas começam nos estados, nos municípios; eu comecei como vereador, sei o que as coisas representam nos municípios para o cidadão. Quando o vereador fala, fala a cidade e temos de estar do lado daquilo que pensam as cidades, os estados e a classe política a partir de suas representações.

Agência Câmara - A disputa pelo cargo de líder expôs, mais uma vez, as fissuras na relação entre o PT e o PMDB, e entre o PMDB da Câmara e o do Senado. Essa briga por espaço não prejudica as votações no Congresso e, no fim das contas, o próprio Executivo nas matérias doe seu interesse? Como o senhor espera administrar isso?
Mendes Ribeiro Filho - Quem não briga por espaço? Até os filhos brigam por espaço entre pai e mãe. Disputar espaço é próprio do ser humano, mas isso não pode prejudicar o clima que temos de buscar para as coisas poderem acontecer. Essa vai ser a minha grande missão. Vou administrar isso tendo toda a paciência e humildade possível de querer aprender com todo o mundo e vou trabalhar muito. Mas não podem querer de mim mais do que isso: ouvir, ter humildade e trabalhar.


Agência Câmara - Nos próximos dias, o Congresso deverá se reunir para votar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012. O parecer do relator, deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG), prevê que as emendas individuais poderão ficar livres de contingenciamento. Além disso, terão prioridade na execução, como já acontece com os projetos do PAC. Como o governo vê essa novidade na LDO?
Mendes Ribeiro Filho - Eu não posso falar sobre o que eu não vi ainda. Ainda vou conversar com as assessorias de Orçamento do Senado e da Câmara, com os líderes que estão negociando esta matéria, sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido. Vou conversar com o relator e, depois disso, vou ver o que posso não atrapalhar e depois vou ver no que eu posso ajudar.

Agência Câmara - Com relação aos temas que estão na pauta de discussão, como a Emenda 29 e a PEC 300 [sobre o piso salarial dos policiais], qual a sua posição?
Mendes Ribeiro Filho - Eu sou muito mais da prática do que do discurso. Antes de aprovarmos as ideias, temos de ver se elas vão produzir os resultados desejados. Tenho as minhas dúvidas de que a Emenda 29 poderá produzir os efeitos que nós queremos. Mas o importante é que possamos aprová-la, que haja maioria na Câmara. Não podemos colocar em votação alguma coisa que possa vir a ser rejeitada.

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